Em resumo

O que é

Quando alguém diz "fui hackeado", quase sempre quer dizer uma destas coisas:

  1. Um atacante entrou numa das tuas contas — mais frequentemente e-mail, redes sociais, uma conta de compras ou uma conta de streaming. Obteve a tua senha a partir de um site de phishing, de uma base de dados vazada, de alguém que te viu digitá-la, ou pela reutilização de uma senha em vários sites.
  2. Um atacante sequestrou uma sessão — não tinha a tua senha, mas obteve o cookie ou o token que prova que já tinhas a sessão iniciada (muitas vezes através de uma extensão de browser maliciosa ou de um site comprometido).
  3. Um dispositivo está infetado — foi instalado software que regista o que escreves ou rouba o que está no ecrã. Menos comum do que as pessoas pensam, mas real.
  4. Um SIM-swap — o atacante convenceu a tua operadora a transferir o teu número para o cartão SIM dele. Agora recebe os teus códigos de verificação por SMS. Menos comum, mais perigoso, usado principalmente contra pessoas com criptomoedas significativas ou contas de alto perfil.

Os primeiros sinais são semelhantes nos quatro casos:

O que fazer — os primeiros dez minutos

Segue esta lista por ordem. Não saltes nenhum passo, mesmo que pareça óbvio. A partir de um segundo dispositivo (outro telemóvel, um tablet, o portátil de um familiar) se conseguires. Se não conseguires, usa o dispositivo que tens — a rapidez importa mais do que a perfeição.

  1. Identifica a conta afetada. Se não tens a certeza de qual é — começa pelo e-mail. O e-mail é a chave-mestra; quase todas as outras contas podem ser repostas a partir dele.
  2. Termina a sessão em todos os dispositivos/sessões na conta afetada. Quase todas as grandes plataformas têm um botão "Terminar sessão em todos os dispositivos/sessões" nas definições de segurança. Prime-o. Isto expulsa o atacante, pelo menos por um momento.
  3. Muda a senha. Usa uma senha forte e única — pelo menos 14 caracteres, não usada em nenhum outro site. Um gestor de senhas torna isto simples; se não tiveres um, escreve a nova senha num papel e guarda-o num lugar seguro por esse dia.
  4. Ativa a autenticação em dois fatores. Usa uma aplicação de autenticação (Google Authenticator, Microsoft Authenticator, Authy, Aegis no Android) em vez de SMS sempre que possível. O SMS para 2FA é melhor do que nada, mas pode ser contornado por um SIM-swap.
  5. Verifica e remove os "dispositivos de confiança" e as "senhas de aplicação". O atacante pode ter autorizado um dispositivo ou gerado uma senha específica para uma aplicação para manter o acesso mesmo depois de mudares a tua senha principal. Remove tudo o que não reconheceres.
  6. Verifica o e-mail de recuperação e o número de telemóvel de recuperação. Os atacantes muitas vezes alteram estes para poderem redefinir a conta a seu favor. Restaura-os para os teus próprios dados de contacto.
  7. Verifica as regras de reencaminhamento e os filtros da caixa de entrada (para contas de e-mail). Um dos truques mais comuns: o atacante cria uma regra oculta que reencaminha uma cópia de cada e-mail recebido para si mesmo, para intercetar futuras redefinições de senha. Abre a lista de filtros/regras e elimina tudo o que não criaste.
  8. Faz o mesmo para a tua conta de e-mail — se a conta comprometida não era já e-mail. O e-mail é a chave-mestra. Se o atacante entrou na tua conta de compras, provavelmente também tentou aceder ao e-mail.
  9. Avisa as pessoas. Uma breve mensagem — enviada por um canal diferente como WhatsApp ou SMS — para amigos, família e colegas: "A minha conta foi comprometida. Se recebeste uma mensagem estranha da minha parte no último dia, ignora-a." Isto para a segunda vaga de phishing que o atacante está a enviar aos teus contactos.

O que fazer — as próximas 24 horas

O incêndio está apagado. Agora verifica o que o atacante pode ter feito enquanto estava dentro.

O que fazer — as duas semanas seguintes

O que NÃO fazer

Usar a IA para te ajudar

Dois prompts que podes copiar. Cola a tua situação entre parênteses. Não coloques senhas nem códigos de dois fatores. Podes colar os cabeçalhos de e-mails suspeitos ou capturas de ecrã de atividade suspeita (com os dados pessoais mascarados).

Prompt de triagem:

"Acho que uma das minhas contas foi comprometida. Eis o que notei: [descreve os sinais]. A conta afetada é [tipo — e-mail, redes sociais, compras, etc.]. Estou a escrever a partir de [tipo de dispositivo — o meu telemóvel / o portátil de um amigo / etc.]. Dá-me um plano de recuperação passo a passo para os próximos 30 minutos, por ordem de prioridade, escrito como uma lista numerada que posso seguir sem conhecimentos prévios de segurança."

Prompt forense (depois de o incêndio estar apagado):

"Agora já protegi a minha conta: mudei a senha, ativei a autenticação em dois fatores, terminei outras sessões e removi dispositivos desconhecidos. Ajuda-me a identificar (a) como é mais provável que o atacante tenha entrado, com base no que descrevo, (b) que outras contas minhas estão agora em maior risco, e (c) o que devo monitorizar nas próximas duas semanas. Contexto: [tipo de conta, o que notei, qualquer coisa estranha nos itens enviados ou filtros]."

Um lembrete: a IA é um excelente parceiro de análise para triagem e acompanhamento. No entanto, não pode falar com o teu banco em teu nome nem recuperar o acesso a uma conta da qual ficaste completamente bloqueado. Usa-a para planificar e depois usa os canais de recuperação oficiais.

A quem ligar

A ordem: a plataforma, o teu banco se houver dinheiro envolvido, a autoridade nacional de combate ao cibercrime ou à fraude.

Depois o teu organismo nacional de denúncia:

Quando escalar além do chat

Fontes e leitura adicional